quarta-feira, 30 de setembro de 2009

ESCÓCIA - EDIMBURGO E TERRAS ALTAS

"Fomos para Edimburgo de trem saindo de Londres. A viagem foi tranquila e durou cerca de 4 horas. O trem é super rápido e confortável, mesmo que não seja na primeira classe. Já chegamos à noite em Edimburgo e foi difícil subir aquelas ladeiras puxando a mala.....ufa......quase morri de cansaço e frio, como venta na Escócia! Tivemos dificuldade de saber que saída seria a melhor para chegarmos até o hotel. Finalmente conseguimos um mapa e saímos para o lado certo. Se sua mala estiver pesada aconselho a gastar algumas poucas libras com um taxi até o hotel. O problema é que a cidade é cheia de altos e baixos e puxar uma mala as vezes fica dificil.
Tomamos um banho e fomos jantar em um pub super simpático na Royal Mile e a comida estava ótima. Andamos um pouco por esta rua e os monumentos históricos são lindos, a cidade é toda gótica e as construções são escurecidas pela ação do tempo. A cidade é um encanto, meio soturna e, ao final desta rua, dá para ver o castelo de Edimburgo todo ilumindo, imponente, como se estivesse vigiando a cidade. Não sei porque, mas os escoceses são fanáticos por histórias de terror, pela cidade existe uns tours para ver a cidade subterrânea, o cemitério, o vale dos mortos, etc. Acho que o estilo das construções, suas cor de pedra desgastada pelo tempo favorecem a imaginação neste sentido. À noite é comum ver grupos de turistas acompanhando alguém de capa preta e cartola, soltando gritinhos a medida que o roteiro evolui. Na terça feira madrugamos, pois já tinha contratado um tour para irmos para as highlands (terras altas) , visitando Glencoe e um cruzeiro pelo Loch Ness. Quando chegamos na agência, situada na Royal Mille, quis tirar uma foto da estátua de Adam Smith, neste momento descobri que Felipe tinha esquecido de colocar a bateria na máquina e ela tinha ficado no carregador, no hotel. Ele foi correndo até o hotel (Ibis) buscar, enquanto fiquei controlando o motorista do ônibus para não sair enquanto ele não voltasse. No final deu tudo certo. O motorista era o guia e super simpático e muito culto. Só a explanação dele já fez valer o tour. Ele fez um "passeio" pela história da Escócia. Contou até mesmo a história do massacre em Glencoe. Aos poucos fomos deixando Edimburgo e cruzamos o rio Firth of Forth e logo os campos começaram a aparecer com suas ovelhas e rolos de feno, espalhados pelos campos. Avistamos o oceano e o litoral é bem bonito. Passamos por Monarch of the Glen e viajamos através das deslumbrantes montanhas de Monadhlaith. Paramos em uma cidadezinha bem pequena chamada Pitlochry para irmos ao banheiro, tomarmos café e comprarmos o nosso almoço, que seria dentro do barco no lago Ness, pois não teríamos tempo de almoçar em um restaurante. A cidade era bem pequena e bonita, parecia uma cidade de brinquedo, um charme. Continuando a viagem, a paisagem das planícies começou a desaparecer e as terras altas foram surgindo com os rios formados pelas águas que descem das montanhas.
Durante o inverno, alguns pontos das terras altas são usadas como estações de esqui e mesmo sem neve dá para imaginar como deve ser bonito no inverno.
A paisagem é estonteante e a vegetação vai mudando de acordo com a altitude das montanhas, chamadas de Cairngorms. Tirando as ovelhas, que são muitas, o interessante é ver os bisões escoceses ( na verdade é uma espécie de gado da raça Aberdeen Angus), típicos das highlands, por serem resistentes as chuvas fortes, ventos cortantes e baixas temperaturas. Eles são lindos de morrer! fiquei impressionada. São enormes e tem grandes franjões encobrindo os olhos, que os faz parecer um bicho de pelúcia. O pêlo de todo o corpo é grande e farto e eles são enormes (quase 3 vezes o tamanho de um boi grande). Passamos por lagos e rios lindos que beiravam a estrada e a vegetação é típica dos lugares frios.
Muitos habitantes das Terras Altas (highlanders) ainda falam o Gaélico e os das Terras Baixas (lowlanders) falam o scots, que é uma derivação do inglês medieval, que já não mais existe.
Entretanto, hoje, mesmo com a sobrevivência do gaélico, a maioria dos escoceses usam dialetos regionais ou um inglês com um forte sotaque. Tive dificuldade de entender o que algumas pessoas falavam.
Os escoceses são orgulhosos por ter sido berço de personalidades notáveis, entre seus filhos ilústres podemos citar: James Watt, que criou o primeiro motor a vapor; Adam Smith, economista influente do século 18; James Young descobriu a primeira refinaria de petróleo; Alexander Bell revolucionou a comunicação mundial ao inventar o telefone; Alexandre Fleming que descobriu a penicilina; isso sem contar com Hume, o grande filósofo escocês.
Chegamos na reserva natural onde se situa o Loch (lago) Ness. O barco já estava nos esperando. Assim que o barco saiu do canal que desagua no lago, sentimos o balanço das ondas. Dentro do barco tinha duas telas de LCD, uma reproduzindo os dados de um radar, que revelava a profundidade do lago e, na outra tela, mostrava através de cores o tamanho dos peixes que estavam em baixo do barco. O guia do cruzeiro informou que por várias vezes uma expedição de cientistas, com um equipamento semelhante, detectou uma imagem enorme e que por conta da profundidade do lago foi impossível fazer uma rastreadura para concluir que tipo de animal era o da imagem.
É certo e reconhecido pelos escocesses que a imagem da famosa foto do monstro Ness não passou de uma fraude realizada por um médico local, que fabricou um "monstro " de madeira e tirou várias fotos. Entretanto, eles não descartam a hipótese do monstro realmente existir, mas este fato nunca conseguiu ser realmente confirmado pelos cientistas em razão da grande profundidade do lago.
Bom, o fato é que a lenda rende bastante , em termos turísticos, pois nas lojas da região tudo gira em torno do famoso personagem.Com monstro ou sem monstro o passeio valeu a pena pela beleza natural. Felizmente trata-se de uma reserva ecológica, então são poucas casas em torno do lago, que por sinal é enorme. Tal fato rende paisagens naturais belíssimas e únicas.
Após o cruzeiro paramos em Ben Nevis para ver a montanha mais alta da escócia e como chovia muito dava para ver as inúmeras cachoeiras, formadas pelas águas que desciam da montanha, de todos os tamanhos e formatos.
Depois demos uma pequena parada em GlenCoe onde fizemos uma pequena degustação de Whisky. Seguimos viagem em direção a Edimburgo passando pelo castelo de Stirling. Chegamos em Edimburgo já estava noite e só tivemos tempo para fazer umas compras de souvenirs da única loja que estava aberta, depois jantamos e voltamos exauridos para o hotel. Mulheres cuidado! as lojas fecham cedo, as sete horas da noite já está tudo fechado.
O passeio valeu a pena e a empresa foi ótima, por tal motivo recomendo(se quiserem saber o endereço da empresa e o preço do passeio é só clicar na palavra empresa). Ah! descobri que os escoceses chamam Edimburgo carinhosamente de "Emdbra", na verdade acho que eles falam Edinburgh tão rápido que só ouvimos este som : Emdbra!
Os escoceses são simpáticos, hospitaleiros e orgulhosos de suas tradições. Isso faz com que o lugar fique mais interessante ainda. Eles tem uma forte tradição na educação e suas escolas são famosas no mundo todo. Toni Blair estudou lá, mas disso eles não tem muito orgulho não!Além disso, no campo da medicina eles tem um grande destaque a nível mundial, não é à toa que a ovelha Dolly está lá.
Deu para perceber que a rivalidade entre os Escoceses e os Ingleses é enorme e o guia contou uma piada dizendo que Deus quando criou o mundo e chegou na Escócia colocou uma terra fértil, lindos campos, belas paisagens, rios, lagos, bom clima e um excelente povo. Ai Pedro disse que isso era uma covardia, porque colocar tantas coisas boas em um só país? Ai Deus respondeu: espere até ver os vizinhos que vou dar a eles!
Bem, piadinhas à parte em 1998 eles conseguiram, através de um plebiscito, aprovar um parlamento próprio e isso acabou resultando em um grande avanço para o país. Muitos escoceses acham que com isso restou revogado o ato de união que fundiu os parlamentos inglês e escocês em 1707.
No dia seguinte, para variar, madrugamos! Marcelo chegaria de trem de Staford por volta das 11 horas da manhã e eu e Felipe resolvemos ver alguns pontos turísticos que seriam cansativos para ele. Assim, logo ao amanhecer atravessamos a ponte que liga a cidade velha da cidade nova e fomos visitar o Sir Walter Scott Monument na Princess Street. Parece aqueles castelinhos de areia que fazíamos quando éramos crianças na praia. Muito lindo! Eu não consegui parar de fotografar o monumento. Acho que já deu pra perceber......
De lá descemos toda a Princess Street e subimos até o Calton Hill que fica no topo da colina mais alta da cidade e a vista realmente é deslumbrante. Lá visitamos o monumento ao almirante Nelson e o observatório. O mais encantador é a vista da cidade velha, a nova e todo o litoral. Uma observação vale a pena fazer, o que eles chamam de cidade nova foi construída em 1767 ao longo das ruas Princess, George e Queen.
Descemos o Calton Hill e fomos para o Palace of Holyroodhouse, residência oficial da Rainha Elizabeth quando vai a Escócia. Sua construção data de 1128 e foi residência da Queen Mary, rainha da Escócia. O castelo é muito bonito e bem conservado e retrata uma parte da história escocesa, inclusive com algumas jóias reais.
No final do passeio Marcelo ligou e fomos encontrar com ele no hotel, que era próximo do palácio. Na verdade em Edimburgo não é necessário nenhum tipo de transporte para ver os pontos principais. A cidade não é muito grande e pode-se ìr à pé na maioria das atrações turísticas. O que aliás é uma delícia, pois em cada pedacinho da cidade podemos descobrir um lugar diferente, uma construção gótica.
Finalmente descobri o significado do Tartan ou Kilt: seus desenhos e suas cores representam as famílias tradicionais escocesas, pois cada desenho representa um clã que significa criança em Gaelético.
Encontramos Marcelo e fomos para Royal Mile. Visitamos a catedral de St Gilles e o teto dela é um dos mais ricos e trabalhados que já ví, sua construção data de 1126 com um estilo próprio muito rico.Saimos de lá e já estávamos famintos. Almoçamos no Garfunkel's e o Marcelo adorou a comida e tomamos um excelente Rioja.
Seguimos em direção ao castelo de Edimburgo e no caminho visitamos o The Hube (antiga igreja transformada em centro cultural) e o Scotch Whisky Heritage Center e o passeio, apesar de ser meio caro, cerca de 15 Libras, vale a pena. O tour tem início em um trenzinho em forma de barril que conta os 300 anos de história da bebida, explicando cada etapa do processamento do Whisky. Na parte da torrefação do malte sentimos o calor e o aroma do malte tostado. Muito interessante, pois o roteiro é meio interativo. Depois passamos para a parte da degustação, em uma bela sala com uma mesa composta de 4 potes de vidro, com tampas de cores diferentes. Cada cor representa uma região da Escócia, produtora do Whisky. A guia nos pede para cheirarmos e separarmos o cheiro que mais nos agradou, pois a degustação será do Whisky produzindo naquela região. Depois passamos para uma sala toda preta, com umas vitrines iluminadas cheias de garrafas de Whiskys raros e bem antigos. Uma belíssima coleção de um valor inestimável que surpreendentemente foi doada por um brasileiro à Escócia.
Neste local, sob uma mesa redonda com um enorme lustre de cristal, passamos as 5 fases da degustação de um bom Whisky. A última etapa consiste em mensurar por quanto tempo a lingua fica dormente com o destilado. Devo dizer que depois do vinho e da degustação do Whisky já não estava tão segura se conseguiria subir até o castelo de Edimburgo.
Descobri que os verdadeiros conhecedores de whisky tomam o sigle malte com o sabor mais específico dependendo da turfa e da água fresca, e o whisky blended, que normalmente tomamos no Brasil, é a mistura de até 50 maltes diferenes, de várias regiões, então nem sempre a qualidade é boa, pois trata-se de uma mistura.
Outra coisa que aprendi é que misturar o Whisky com água é recomendável, pois a água abaixa a temperatura do destilado e "solta" os seus aromas. Ah, os copinhos de degustação são brinde do Heritage Center.Bem, para quem não entendia nada da bebida até que saí de lá sabendo alguma coisa, mas devo dizer que ainda prefiro os meus vinhos.....
Com alguma dificuldade subimos até o castelo de Edimburgo e o vento estava cortante. Impressionante o frio que faz neste lugar! olha que estamos no outono e ainda por cima choveu e, logo após, o tempo abriu novamente, como dizem os escoceses as quatro estações em apenas um dia.
A vista do castelo é deslumbrante e nele há o Scotish United Services Museum com suas armas de época, há também os aposentos reais e em baixo as masmorras usadas como prisão. Sua construção data do ano de 1300 e foi construído em cima de uma rocha vulcânica e é visto de quase todos os lugares da cidade, à noite sua iluminação é linda!
Saimos de lá e seguimos andando pela Royal Mile e fomos em direção a Princess street. Voltamos e jantamos em um típico pub. O Felipe e eu provamos os famosos haggis (prato típico escocês). Devo dizer que não apreciei muito, mas o Felipe gostou. Parece com chouriço, só que feito com miudos de carneiro ou de veado, que costuma ser sevido com "neeps and tatties"(nabo sueco e batata amassados).
Infelizmente nossa estadia em Edimburgo chegou ao fim, pois no dia seguinte tivemos que voltar para Londres bem cedinho. Gostei muito de tudo que ví e os escoceses são um encanto a parte. Detalhe, só vimos brasileiros uma só vez, em um restaurante. Tirando este dia , é raro brasileiros por aqui. Alguns perguntavam qual era nossa nacionalidade e ficavam espantados de sermos brasileiros.
A Escócia é sem dúvida um país que recomendo, pois a visita vale muito a pena é um lugar exótico, bonito e seu povo é encantador e hospitaleiro. "

2 comentários:

  1. Muito obrigada por compartilhar comigo essa experiência de vcs. Estou indo passar o ano novo lá com meu marido e com uns amigos que estão morando lá. Pode ter certeza que anotei várias coisas que vc nos contou aki e será extremamente util para nós. Obrigada, Erika Reimann.

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  2. Erika,
    tenho certeza que vcs vão adorar a Escócia. Depois me conta como foi e se a sua impressão foi a mesma da minha.
    Feliz Ano Novo e faça uma bel@viagem
    Bel

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